Supertramp Experience: Entre a memória e o simulacro: quando a fidelidade não sustenta a experiência
Há encontros musicais que não começam no palco, mas muito antes, na repetição quase obsessiva de um LP, nas letras acompanhadas em encartes, na familiaridade construída ao longo do tempo. The Autobiography of Supertramp pertence a esse território. Um álbum que não apenas se ouve, mas se internaliza, sedimentando melodias, arranjos e vozes na memória. É a partir dessa permanência que qualquer reencontro com esse repertório passa, inevitavelmente, a ser medido. Diante de um espetáculo que se propõe a revisitar uma obra dessa natureza, a expectativa não se limita à fidelidade. Espera-se a reativação de uma experiência. No entanto, ao longo do Supertramp Experience , essa promessa se sustenta apenas parcialmente. Há momentos em que a emoção parece prestes a emergir, sugerindo o impacto ainda contido nas canções. Esses instantes, porém, não se prolongam. Dissipam-se com rapidez, como se algo impedisse que a memória se convertesse em presença. Apresentado no Qualistage, no Rio d...