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Coyote vs. Acme: quando a repetição era a própria graça

  Há personagens que pertencem tão profundamente à memória coletiva que qualquer tentativa de devolvê-los ao público precisa enfrentar algo maior do que a tarefa de criar uma nova história. O Coyote e o Papa-Léguas estão entre eles. Durante décadas, bastavam poucos segundos para reconhecer a situação: o Coyote elaboraria uma nova estratégia, recorreria a algum dispositivo da ACME, prepararia cuidadosamente a armadilha e acabaria vítima da própria engenhoca. O Papa-Léguas escaparia e a perseguição recomeçaria. Não havia aprendizado, evolução ou possibilidade real de vitória. E talvez fosse justamente essa repetição que tornasse aqueles desenhos tão divertidos. Coyote vs. Acme parte dessa memória para construir uma narrativa bastante diferente. A transformação da relação entre o personagem e a fabricante de produtos aparentemente infalíveis em uma questão de responsabilidade comercial é uma premissa engenhosa. O Coyote compra, a ACME entrega, o dispositivo falha e ele sofre as c...

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