Querida Mamãe
Entrar na sala para assistir a Querida Mamãe significava, antes de tudo, confiar em três nomes. De um lado, a dramaturgia de Maria Adelaide Amaral, autora que há décadas compreende como poucos as delicadas engrenagens das relações humanas. Do outro, a presença de Nívea Maria e Regiane Alves, intérpretes cuja trajetória desperta interesse imediato e justifica, por si só, a ida ao teatro. O espetáculo não procura surpreender. Tampouco parece interessado em reinventar o drama familiar. Sua força nasce justamente do contrário. Maria Adelaide constrói uma história que o público reconhece quase instantaneamente. Mesmo quando os acontecimentos não reproduzem experiências pessoais específicas, as emoções em cena soam familiares. Os conflitos, as cobranças, os ressentimentos, as culpas e as tentativas frustradas de aproximação pertencem a um repertório afetivo compartilhado por diferentes gerações. Embora centrada na relação entre mãe e filha, a peça ultrapassa essa configuração particular...


