Biquini + Big Mountain no Qualistage
Na noite de sábado (20), o Qualistage, casa de espetáculos na Zona Oeste do Rio, foi palco de um encontro musical raro: o pop-rock brasileiro do Biquini dividiu a noite com o reggae californiano da banda Big Mountain. O evento, promovido como uma celebração cultural entre gêneros e gerações, atraiu uma plateia diversa e saiu do papel como mais do que apenas um show.
O que se viu (e ouviu) foi uma verdadeira “colisão de placas culturais”, como definiu um dos músicos no palco. Reggae e rock, Califórnia e Copacabana, anos 1980 e 2025: tudo isso se encontrou em uma noite que reverberou tanto nos corpos quanto na memória afetiva do público.
A banda americana, conhecida pelo hit mundial “Baby, I Love Your Way”, foi a primeira a se apresentar. Em uma performance marcada por leveza e mensagem, o grupo liderado por Quino ofereceu um set vibrante e contemplativo. A canção mais esperada da noite veio em versão semiacústica, iniciando com apenas violão e voz, e crescendo em camadas suaves de percussão e sopros.
Outros destaques foram “Touch My Light”, que uniu sensualidade e espiritualidade, e “Reggae Inna Summertime”, que transformou o Qualistage em uma pista de dança despretensiosa. Um dos momentos mais impactantes veio na execução enxuta e emocionada de “Redemption Song”, de Bob Marley. Antes da música, Quino discursou brevemente sobre resistência e justiça social, recebendo atenção total da plateia.
Na segunda metade da noite, foi a vez do Biquini (ex-Biquini Cavadão) assumir o palco. A banda, que comemora mais de 40 anos de carreira, mostrou por que ainda mantém uma base fiel de fãs. O repertório revisitou sucessos como “Tédio”, “Janaína”, “Dani” e “Impossível”, com a plateia cantando em uníssono.
Entre os pontos altos da apresentação, a releitura de “Vento Ventania”, em formato de dueto com Quino mesclada à faixa “A New Wind Blowing” trouxe intensidade emocional e fusão de estilos. A canção inédita “Você tem o que merece ter” estreou ao vivo e foi bem recebida. Com letra crítica e melodia marcante, aponta para uma nova fase do Biquini, mais reflexiva e politizada.
que ao apresentar essa faixa em meio a um show marcado por nostalgia e celebração, insere uma ruptura proposital: lembra ao público que maturidade artística também exige posicionamento e que o tempo da música pop pode ser simultaneamente afetivo e político.
Mais do que um show, o encontro foi um experimento sonoro que reuniu diferentes vertentes da música popular em torno de um mesmo palco. Para muitos, foi também um reencontro com memórias afetivas dos anos 1990 e início dos 2000. Para outros, uma introdução a dois mundos musicais que, até então, caminhavam em paralelo.
A produção foi elogiada pela organização, qualidade do som e iluminação. Apesar de alguns momentos longos no meio do set do Big Mountain, o público demonstrou entusiasmo e conexão durante toda a noite.
Uma noite que provou que, quando bem conduzida, a mistura entre passado e presente pode criar terremotos não de destruição, mas de transformação.
Por Mauro Senna
fotos: MSenna


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